sábado, 29 de dezembro de 2012

Coisas que são, coisas que chegarão



Não tenho quarto, mas isso não significa que não tenha um canto. Não tenho casa, mas isso não me impede de criar minha própria morada em cada lugar que eu vou. Meus objetos dizem quem eu sou, minhas características, cada coisa que deixa um rastro é um sinal de que eu estive ou estou em um determinado lugar. Qualquer lugar pode ser o meu quarto se você encontra uma parte da mesa com pelo menos um caderno e pelo menos um livro e muito possivelmente uma caneca suja de café. Meu perfume que mora no ar, meu creme para mãos jogado no mesmo canto dos cadernos e livros, uma bolsa perto, e sempre, sempre um fone de ouvido acessível. Acho que todas essas coisas juntas somadas com o meu computador, meu IPod e eu, podem definir-se como minha casa. Na maior parte do tempo só preciso disso e dos meus pensamentos pra viver. 
Eu sou realmente estranha por dar mais valor a cinema do que a balada? Se eu sou, que assim seja. Eu sou uma jovem idosa assumida, mas se você me convidar pra um show de Rock, viro uma menina de 16 anos enlouquecida. Coloco meu All Star roxo, minha maquiagem favorita, meu jeans, preparo a garganta pra gritar e as pernas pra pular. E claro, o que não vai depois são muitas e muitas fotos, mesmo que eu não as mostre pra ninguém. Mas não costumo ter vergonha de mostrar, pois acredito que a beleza da diversão às vezes é capaz de se tornar muito maior do que a beleza da estética. 
Quem não é rainha da beleza, ou tem uma beleza comum, se destaca em outros quesitos. Pode nascer engraçada, ou inteligente, ou louca (pois as loucas têm charme), ou com qualquer outra característica que a maioria das rainhas da beleza não têm. E quem não nasce com destaque em outros quesitos, aprende a ser notável em alguma coisa, pois cada mulher é especial à sua própria maneira. 
Eu sou apaixonada pela Lua, com toda certeza. Eu passo bastante tempo admirando-a, ou olhando pra ela enquanto minha mente está longe do lugar em que estou, e às vezes até converso com ela. Ela tem uma luz que me transmite calma, esperança, paz de espírito... Toda vez que entro em sintonia com a Lua, acabo convencendo-me de que a vida é muito mais do que eu posso supor, e enquanto as nuvens vem e vão em volta dela, tenho a certeza de que tudo é provisório. A qualquer momento tudo pode mudar ou acabar. 
Seus dias podem ser de Sol ou de Lua, mas não se engane achando que um é negativo e o outro positivo: os dois têm suas vantagens e desvantagens, assim como a vida. Viver é diferente de sobreviver, por isso desejo que possamos viver sempre dias de Sol na medida exata do calor de um abraço e noites de Lua com a intensidade de uma dança. Não importa se for dia ou noite, o caminho sempre será iluminado. São esses os meus votos para 2013.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Quebre a corrente

É  fácil dizer quando as estruturas estão fracas
Eu escrevo sobre todas as coisas desde criança
E quem escreve, sabe quando um fato é importante.
Como uma estrutura fraca,
Como uma tentativa falha.

Eu estou vendo você acender a dinamite
Você ri enquanto se prepara pra matar a causa da sua gastrite...
Talvez você nem saiba o que está fazendo 
Mas meus olhos de telescópio nunca deixam de ver o que está acontecendo.

Você quer explodir, mas não quer ficar pra assistir
Você quer explodir, mas está acorrentada à algo que não te deixa ir.
Me diga quando você quebrará a corrente
Você está a ponto de explodir junto com toda essa gente
Você precisa escapar, precisa quebrar a corrente.

Eu escrevo sobre você desde que estava trocando de dentes
E sempre esperei você quebrar a corrente.
Por favor, não exploda com essa gente
Você precisa fugir antes de ativar a bomba,
Você precisa quebrar a corrente.
Você precisa jogar fora essa vida decadente
Por favor, quebre a corrente.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Charlie's Last Letter

Não sei se terei tempo para escrever mais cartas porque estarei muito ocupado tentando "participar".
Então, se esta for a minha última carta, saiba que estive num lugar ruim antes de começar o Ensino Médio e você me ajudou. Mesmo que não soubesse do que eu estava falando ou conhecesse alguém que passou por isso. Você fez eu não me sentir sozinho. 
Porque eu sei que existem pessoas que dizem que estas coisas não acontecem. Que há pessoas que se esquecem do que é ter 16 anos quando fazem 17. Sei que tudo isso não passará de histórias. E que nossas imagens se tornarão fotografias antigas. Todos nos tornaremos pais de alguém. 
Mas agora, estes momentos não são histórias, isto está acontecendo.
Estou aqui e estou olhando pra ela. E ela é tão linda.
Eu consigo ver. Este momento que você sabe que não é uma história triste. Você está vivo. Você se levanta e vê as luzes nos prédios e tudo que faz você se perguntar. E está ouvindo aquela música enquanto dirige com as pessoas que mais ama neste mundo. E neste momento, eu juro... NÓS SOMOS INFINITOS.

- The Perks Of Being A Wallflower (2012)

Eu estou pensando em você hoje porque é Natal, e eu lhe desejo felicidade.
E amanhã, porque será o dia seguinte ao Natal,
Eu ainda lhe desejarei felicidade.
Eu posso não ser capaz de lhe falar sobre isto diariamente,
Porque eu posso estar ausente, ou nós podemos estar muito ocupados.
Mas isso não faz diferença
- Meus pensamentos e meus desejos estarão com você da mesma forma.
Qualquer alegria ou sucesso que você tenha, me fará feliz. Me iluminará por todo ano.
Eu desejo à você o Espírito do Natal.



   
                                              - Van Dike

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Me deixa

Quando eu disser que chega
Me deixa.
Quando eu disser que não quero
Respeita.
Quando eu disser que já fiz
Encerra.
Quando eu não quiser ouvir
Cala.
Quando eu sair
Não pergunte nada.
Enquanto eu quiser ser livre
Não seja uma pedra.
Não seja o motivo que me faz perder a cabeça.

Até pra amor tem limite.
Até pra família tem cota de palpite.
Até pra amizade tem medida certa de liberdade.
Eu cuido da minha vida mesmo antes de ser maior de idade.
Não aceito abuso de nenhuma parte.


Janela aberta

E de repente eu abro a janela e vejo...
Esperança!
Esperança em todos os momentos
Esperança que os raios de Sol se tornem menos quentes
Esperança de que a chuva virá e refrescará toda a nossa gente.
Esperança que nasce no coração
Esperança de conseguir dançar uma boa dança
Esperança que me faz lembrar de uma canção.

E é disso mesmo que a vida é feita...
Esperança em todas as coisas e pessoas
Poder continuar a sorrir e a sonhar
E poder apreciar um perfeito luar.
Estou sendo brega e clichê
Mas tenho esperança!
Vou reclamar do quê?

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Não somos mais

Agora que nós nos encontramos na rua você faz esse olhar
Porque você sentiu o perfume que eu te dei há uma eternidade atrás...
Você diz que está bem, mas seus olhos dizem outra coisa.
Me dá um sorriso abalado, completamente forçado
E eu sei que você tem passado por muita coisa.

Nos encontramos aqui, depois de tanto tempo
Nossas vidas tomaram rumos tão diferentes
E as mudanças que você vive agora, nada têm a ver com o meu presente.
Eu te dou um olhar sincero 
Digo que espero que você fique bem, pois realmente espero
E então você me diz que não está satisfeito com o rumo que a sua vida tomou
E eu vejo uma lágrima brotar no canto do seu olho...

Eu também não estou muito satisfeita com a minha
mas nada se compara com o furacão que se tornou a sua.
Eu sinto por você, mas é apenas a compaixão de uma pessoa por outra
Uma pessoa que te conhece de um outro tempo
Uma outra época, na qual nunca esperávamos viver esse momento.

E agora, não somos nada um para o outro
Os sentimentos que eu tinha, pertencem ao tempo
E a ligação que você tinha comigo, foi levada pelo vento
Não somos nada além de lembranças...
E agora eu não sei quem você realmente é
E você também não sabe quem eu sou
Somos apenas pessoas que costumávamos conhecer...

sábado, 15 de dezembro de 2012

Flores mortas

A chuva pode ser feia para alguns...
Como flores mortas.
Mas é o Sol que as mata
Assim como põe fogo no coração de fracas garotinhas
Que crescem e se tornam mulheres caçadoras
Que correm na chuva, ignorando seus medos e angústias
Sabendo quem são, sabendo que nada é em vão.

O vento assopra as verdades em meu rosto
ou simplesmente as leva para longe de mim...
Quando o tempo está abafado
tudo parece parado
Até que a minha intuição acorda 
e agindo sozinha, sem a ajuda do vento
encontra todos os perdidos fragmentos
que causam uma revolução em meus sentimentos.

O amor renova a vida 
mas o ódio às vezes te acorda das mentiras.
Assim como a indiferença por certas pessoas não muda o que já aconteceu
Assim como eu nunca vou deixar de lutar pelo o que é meu.
Assim como eu já fui uma fraca garotinha, que agora cresceu.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Oceano

Eu não tenho medo de me jogar de cabeça.
Eu não tenho medo de ser gorda, como também não tenho medo de ser magra.
Eu não tenho medo de parecer ridícula por ter espinhas depois de ter passado da idade.

Eu tenho medo de não dar o meu melhor por medo. Eu quero correr riscos e me jogar de cabeça por aquilo que eu acredito, pois só eu posso lutar minhas batalhas.
Eu tenho medo de me sentir mal por mais de um dia por causa da minha aparência. Tenho medo de acabar comigo mesma para me encaixar nas exigências dos outros... E quem são os outros afinal?
Eu tenho medo de ter rugas antes da hora só porque todos exigem que eu corra mais rápido do que o tempo. E mais uma vez: quem são os outros?
Eu tenho medo de deixar de ser eu.

Eu não tenho medo de sofrer.
Eu não tenho medo de me decepcionar.
Eu não tenho medo de mudar de cabelo só porque tive vontade por cinco minutos.

Eu tenho medo de não ter lembranças das coisas que significaram o mundo pra mim. Se sofremos é porque realmente foi importante e se foi importante, é porque foi real e maravilhoso.
Eu tenho medo de não criar expectativas e me tornar uma velha chata pessimista que enche a boca pra dizer que não faz planos para não se decepcionar. Ninguém vive desse jeito, a diferença é que eu tenho coragem de admitir. E sim, eu sou uma pessoa esperançosa. E sim, eu espero o melhor da maioria das pessoas. E sim, eu estou em extinção. 
Eu tenho medo de deixar de ser espontânea e de não atender minhas próprias vontades momentâneas de vez em quando. E como eu quase não mudei de rosto desde a infância, meus cabelos diferentes são o que definem a passagem do tempo. Essa é a minha maneira de ser mutável, de não ficar congelada sempre na mesma coisa. Quem muda, quase sempre evolui. 
Eu era uma adolescente idiota que dançava no meio da rua e dava o maior dos abraços quando encontrava um amigo ou uma amiga. E também gritava muito. Bem, essas coisas não estão tão diferentes hoje em dia, exceto que eu me tornei mais silenciosa e diminuí minhas danças públicas. Mas eu sempre vou abraçar minhas pessoas importantes com todo o meu coração e sempre vou rir sozinha toda vez que lembrar de algo bom.

O tempo pode passar e eu perder algumas características, ganhar novas e remodelar velhas, mas eu sempre serei eu. Por eu ser tudo o que eu tenho, me mantenho fiel à mim mesma, me mantenho fiel a vida que eu quero viver. Me mantenho fiel às minhas crenças e convivo comigo bem, pois acho que finalmente estou começando a entender a minha cabeça louca. Mas eu gosto de ser difícil e incompreensível. Pessoas assim se tornam interessantes.
Todos têm seu charme. E às vezes o seu charme é não ter nenhum.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Arte de amar


Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus - ou fora do mundo.

As almas são incomunicáveis.
Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.
Porque os corpos se entendem, mas as almas não.

- Manuel Bandeira

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Súplica


Posso escrever um poema individual de madrugada
descrever os aspectos da minha profunda alma
e remoer as lembranças que já não importam mais
Mas pela manhã, estarei cantando sobre você
E como você me prendeu no seu perigoso jogo
E vai ser tudo sobre você, e eu seria todas as pessoas que você quisesse ver
A mais apaixonada e a mais magoada.

Posso dizer durante a tarde o quanto estou bem sozinha
enumerar com um sorriso no rosto as vantagens de não ter ninguém
E sonhar secretamente sobre fazer parte da vida de alguém
Mas ao pôr-do-sol sentirei falta de segurar a sua mão
Fecharei os olhos e me deixarei levar por minha imaginação quase real
E eu sentirei suas mãos em meus cabelos
E eu sentirei você tirando minhas roupas enquanto me enche de beijos.

No início da noite, eu serei sempre a mais desesperada para que o dia acabe logo
Ao amanhecer, eu serei sempre a mais desesperada para que venha novamente a madrugada.
Durante a tarde, estarei sonhando acordada
E de madrugada, fingirei estar fazendo alguma coisa que não seja pensar em você,
mesmo que eu não esteja nada ocupada.

Eu me apaixonei como uma criança
Ocupo meus dias pensando em você
E minhas noites sonhando em te ver.
Toda vez que ouço aquela música, eu desejo de todo coração poder te abraçar
Toda vez que eu respiro, falo e vivo
Eu só quero que você me deixe te amar.
E eu só peço a esse amor que ele possa acontecer
Ou simplesmente me liberte e resolva ir junto com o vento, seguindo-o
Como eu sempre sigo você.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Vácuo


Eu não estou.
Eu não sou.
Eu era, em algum lugar do passado, 
um lugar perdido nas tantas estrelas quase apagadas do céu.

Eu não tenho.
Eu não venho.
Eu não sei, mas sabia.
E quem é que pode dizer se um dia saberei de novo?

Eu não quero.
Eu não espero.
Eu não procuro.
E quando procurava, no fundo já sabia que não encontraria nada.

Eu não como.
Eu não durmo.
Eu não falo.
Eu não paro.
Nos momentos em que parava, me sentia como a chuva que chega pra aliviar o calor.
Me sentia feliz.
Me sentia bem.
Me sentia eu.
Me sentia.

Tem muito tempo que não sinto mais.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Balanço


Agir às escondidas? Eu já fui assim antes? Talvez, mas poucas vezes na vida... Ultimamente tenho feito isso mais do que o normal... Eu estou levando à sério esse negócio de vida privada. Tem tanta coisa que eu não falo mais com quase ninguém... Meus amigos se tornaram colegas, meus melhores amigos se tornaram amigos... Talvez seja culpa desse ano, no qual eu aprendi a viver sozinha e não deixar de fazer certas coisas por estar sozinha; talvez seja pelo fato do meu desconfiômetro estar ativado com força total, talvez seja por eu ter me tornado uma pessoa mais privada do que eu jamais fui em toda a minha vida. Talvez seja apenas o tempo, passando e me mudando.
O fato é que existem pessoas que quando ficam sozinhas, se desesperam, enlouquecem, não aguentam, fazem idiotices... Eu não. Estamos em dezembro, e agora eu vejo que todas as mudanças que ocorreram desde janeiro, foram necessárias e de certa forma, benéficas. Eu adoro pessoas. Eu gosto de estar perto das pessoas, e isso dificilmente vai mudar um dia, mas agora eu aprendi a viver sozinha e não me desesperar com isso. Aprendi a aceitar a solidão, como algo que acontece eventualmente ou se torna uma forma de vida... Isso me tornou mais independente, mais segura de mim mesma como pessoa, e me deu ainda mais certeza de que na vida, só temos à nós mesmos. Só podemos contar totalmente com nós mesmos, só podemos acreditar e confiar totalmente em nós mesmos. Somos tudo o que temos. E pelo incrível que pareça, eu não estou mais vendo isso como algo totalmente ruim, afinal, tem gente que não pode nem contar com si mesmo. Talvez autossuficiência seja isso.
Esse ano foi uma droga em muitos aspectos, mas não nisso. Eu sempre terei meus dias ruins, como todo mundo, mas nesse momento, eu realmente me sinto bem. Não sei se isso é bom ou ruim, mas eu estou me tornando independente ao extremo. Todas as pessoas são imprevisíveis... Familiares, amigos, todo mundo... Eu sou imprevisível, mas é um inesperado com o qual eu sei lidar. E eu tenho me sentido bastante esperançosa ultimamente. Quer dizer, mesmo com tudo o que aconteceu esse ano eu continuo aqui, determinada. O quão forte eu me tornei? Aconteceram coisas que eu sempre temi, coisas que eu sempre pensei que não aguentaria, mas aqui estou eu, mais em paz comigo mesma do que nunca. Tudo pode dar certo, a qualquer momento, é isso que pisca na minha cabeça o tempo todo.
Não entenda mal, não é como se de repente eu tivesse resolvido me tornar uma velha solteirona e amargurada, não é isso. Como eu disse antes, eu adoro estar cercada por pessoas, mas nesse momento, eu apenas resolvi aceitar a solidão que me foi imposta durante todo esse ano e eu não me importo mais. Por muito tempo, eu achei que as pessoas que eu amava eram tudo o que eu tinha, e agora eu vejo que mesmo que se tenha mil pessoas na sua vida, se você não tiver a si mesmo, se você não estiver bem consigo mesmo, se você não gostar da própria companhia, as mil pessoas não significam nada. Não adianta se agarrar à alguém, ou "alguéns" na tentativa de se sentir bem. As vezes as pessoas permanecem, mas na maioria das vezes, todos seguem seu caminho, e no final, cada um só tem a si mesmo.
Outra lição que eu aprendi esse ano: A vida continua linda mesmo que você esteja sozinho. Você só precisa se esforçar pra enxergar a beleza das coisas, você só precisa viver como quiser, do jeito que quiser. Nós criamos a nossa realidade a partir de um molde imposto. Se você conseguir remover a névoa de desespero dos seus olhos por estar sozinho, você consegue ver uma Lua brilhante e infinita.
Nesse momento eu me sinto outra pessoa. E talvez eu seja.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Depois de ontem

Depois da noite que passei contigo ontem
de mim restam apenas frangalhos.
Meus destruídos frangalhos felizes
E meus olhos nunca estiveram tão maravilhados.

Depois de ontem, 
nada mais importa...
Eu encontrei o paraíso na Terra
e tenho certeza de que no Céu não seria tão bom assim.
Todo esse amor que você despertou em mim
Com ele, eu seria capaz de derreter uma pedra.

Depois de ontem
eu descobri que não existe nenhuma palavra 
Que descreva exatamente o tamanho da minha alegria.
Depois de ontem eu digo que
se tivesse que passar por tudo de novo, passaria
E se tivesse que chorar tudo de novo, choraria
Pois o universo me recompensou com você
E não existe recompensa maior
do que na minha vida,
te ter. 



quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Fim de tarde ventania



Primavera... O vento de fim de tarde anuncia mudanças.
É um vento na temperatura certa, reconfortante, depois de um dia inteiro de sol quente.
E eu estou deixando meu cabelo voar para todos os lados e nem estou me importando...
Porque sei do que se trata esse vento.
E jogar meu cabelo para todos os lados, é a forma que ele encontrou de me avisar que a próxima coisa que vai dar um giro completo é a minha cabeça.
Ela vai girar e depois vai abrir... Vai abrir totalmente o pedaço que faltava abrir.
Esse é o meu vento preferido entre todos os ventos no mundo.

Fim de ano... As malas prontas anunciam a próxima parada.
É a parada mais certa até agora... A mais iluminada, a mais fortificada, a mais real.
Foi a única que me empurrou com esse vento de primavera.
Foi a única que acalmou meu coração, depois de tanto tempo de espera e medo.
Eu não saberia ser uma pessoa desistente ou pessimista.
Eu não saberia ser o tipo de pessoa que abandona seus sonhos para se tornar apenas mais um escravo dos escravizadores.
Acontece que nesse mundo louco, eu não me encaixo.
Acontece que eu não nasci para ser escrava e nem para escravizar.
Acontece que de vez em quando eu repenso minhas decisões, na tentativa de autoproteção.
Pois eu, sou a minha própria rocha, o meu próprio escudo, a minha própria garantia, a minha própria força.
Apenas eu comigo mesma.
E juntas, temos nossos momentos de alegria.
E juntas, vivemos nossa vida.

Graças à Deus é fim de ano e o Natal está chegando.
O Natal sempre deixa tudo muito mais bonito, muito mais leve, muito mais pacífico e com mais amor.
O Natal sempre será uma data mágica, até mesmo para aqueles que não têm neve no lado de fora da janela.
O meu Natal tem um jeito diferente, e talvez seja por esse motivo que eu gosto tanto dele.
Eu nunca consegui desanimar no Natal, mesmo que todo ano façam insuportáveis 40°.
Talvez eu seja mesmo uma pessoa sonhadora, cega e otimista ao extremo.
E são exatamente essas as coisas que me salvam de virar uma adulta robotizada.
Se a chave para não enlouquecer é ser louco, aqui estou eu.
E tenho certeza de que existem pessoas como eu em todos os lugares.
Pessoas que conseguem sentir quando um vento, não é apenas um vento.



segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Hidroterapia

Eu gosto tanto de água... Talvez seja por me lembrar da minha infância, dos meus finais de semana com o meu pai e os meus irmãos. Nós nos divertíamos tanto... Eu ficava o dia todo no mar e no fim do dia estava toda enrugada e com a pele ardida por causa do Sol, mas completamente feliz. Naquele tempo eu não tinha responsabilidades... Não tinha que me preocupar em arrumar um emprego pra pagar a faculdade, e não existia a crise da Varig pra levar meu pai pra SP e acabar com a nossa praia. Nesses momentos, eu era apenas a menina gordinha e estressada com suas horas felizes. Não existia mais nada quando eu estava no mar.
Talvez eu goste de água por causa da minha pequena raiz indígena, já que foram os índios que nos ensinaram a tomar banho todos os dias.
Talvez eu goste de água por ela me relaxar ao extremo e eu me sentir como se estivesse numa bolha, longe de todos os problemas. Talvez eu tenha sido um peixe em outra encarnação, e às vezes tenho vontade de ser nessa também.
Eu sou apaixonada por frio, mas sou louca por uma praia no calor. Talvez seja por eu ser carioca e a praia ter estado presente em muitos momentos diferentes da minha vida. Eu aprendi a tratar o mar com respeito, mesmo que fosse pra ficar apenas sentada na areia, admirando as ondas e com o pensamento longe... Definitivamente a água faz parte da minha vida, é uma terapia.
Sou uma garota marítima! =D


sábado, 24 de novembro de 2012

Os teus pés



Quando não te posso contemplar 
Contemplo os teus pés. 

Teus pés de osso arqueado, 
Teus pequenos pés duros, 

Eu sei que te sustentam 
E que teu doce peso 
Sobre eles se ergue. 

Tua cintura e teus seios, 
A duplicada púrpura 
Dos teus mamilos, 
A caixa dos teus olhos 
Que há pouco levantaram vôo, 
A larga boca de fruta, 
Tua rubra cabeleira, 
Pequena torre minha. 

Mas se amo os teus pés 
É só porque andaram 
Sobre a terra e sobre 
O vento e sobre a água, 
Até me encontrarem.

- Pablo Neruda

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Vira - lata


Eu gosto de atum
O atum dos gatos vira - latas que comem o último pedacinho do peixe onde todos só enxergam espinhas. É esse atum que mantêm esses gatos livres de qualquer conforto que só visa aprisionar.
Eu gosto de atum
O atum que é colocado numa pizza caseira que alimenta uma família faminta no fim do mês. É esse atum que não deixa doer o estômago de ninguém.
Eu gosto de atum
O atum que se come com pão e maionese quando queijo e presunto já acabaram.
Eu gosto de atum
Aquele atum que substitui o bacalhau e o salmão.
Eu gosto de atum.

Talvez eu goste tanto assim de atum por conta da minha descendência portuguesa.
Ou talvez por eu me identificar com os gatos vira - latas, cheios de misturas, exatamente como eu: portuguesa, alemã, índia, italiana, negra e espanhola.
Somos todos vira - latas, mas somos todos livres, porque temos um pouco de cada lugar.
Quem somos nós? Somos o povo que sabe abraçar como ninguém, somos aqueles que sempre encontram uma solução pra tudo.
Somos os comedores de atum esquecidos do mundo. 
Talvez seja por isso que eu gosto tanto de atum.
Ou talvez seja por ele ser sempre a luz no fim do armário da cozinha quando eu não consigo achar nada interessante, assim como também é a luz no fundo da lixeira dos gatos vira - latas de tantos lugares por aí...
Eu gosto de atum.

domingo, 18 de novembro de 2012

Chá


De vez em quando tento afirmar para mim mesma que meus defeitos são apenas a comprovação de que eu sou humana e nada mais do que isso. Ninguém é um monstro por ter defeitos, somos todos apenas humanos.
Estou tentando entender porque de uma hora pra outra eu comecei a gostar de chá. Não que eu tenha abandonado o meu café, não é isso, eu apenas comecei a beber chá de tarde e antes de dormir. Acalma-me. Talvez seja por ser mais suave, mais sutil; com uma temperatura agradável, que me relaxa. E quando eu tomo chá na minha caneca com desenho de castelo, minha mente voa pra muito longe... Eu penso em todas as coisas da vida, inclusive nos problemas, e não sinto medo, não sinto raiva, não sinto tristeza, sinto apenas aceitação. Acho que o chá me dá um aconchego, um conforto que ninguém nunca conseguiu me dar.
Eu venho vagando por esse mundo feito louca e qualquer sinal da menor luz, é uma esperança. Eu tento enxergar flores em ervas daninhas, grama em lama, amor em indiferença, na tentativa desesperada de não me deixar levar por meus sentimentos intensos, tão profundos, complexos e difíceis de suportar. Eu sou uma pessoa intensa, sempre fui, mas ultimamente, devido aos últimos acontecimentos que veem disfarçados de vitórias e depois mostram a verdadeira cara, eu tenho tido sentimentos intensos e agressivos. Quando eu percebo que tudo não passou de uma armadilha... Eu tenho que me olhar no espelho e afirmar pra mim mesma que meus defeitos me fazem humana. Uma tola e sonhadora humana.
A vida é curta. As estradas são diversas, mas no fundo todas elas estão interligadas e mesmo que cada um caia em lugares diferentes, todos acabam se cruzando pelo caminho. Às vezes, nós temos que fazer pequenos ou grandes sacrifícios para conseguir conquistas. Não há muita diferença entre perdedores e vencedores, exceto que um conseguiu ir até o fim da estrada e o outro não teve força suficiente para permanecer firme em seu posto.
Sorte.
Ajuda.
Coragem.
Determinação.
Inteligência.
Todos nós contamos com pelo menos um desses itens pelo caminho e são eles que fazem a diferença no possível final que nos cabe. Às vezes não temos todas as armas que precisamos, temos apenas todos os motivos que precisamos. Pra mim isso é capaz de nos tirar de mais dificuldades do que qualquer arma, pra mim isso são todos os itens juntos. Pra mim isso é mais do que o suficiente.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Criação


Era um fim de mundo, mas era dela.
E porque era dela, era um fim bonito
Não havia necessidade de fazer dele algo feio, terrível e horrível
Nem mesmo futuramente, dar à ele um sumiço.

Era tudo lindo se ela não olhasse duas vezes
Não existiam flores murchas, se ela não olhasse de perto
Era apenas raio de sol... A felicidade estava sempre perto.

O mar era revolto e impossível de entrar
mas toda aquela bravura fazia dele ainda mais bonito e admirável.
E nos seus momentos de loucura
quando ela ficava mais revoltada do que ele
entrava e mostrava quem é que mandava.
Talvez tenha sido apenas sorte
Talvez tenham sido apenas braços fortes.

Nenhum dia era feito de tédio
Nenhum momento era em vão
Nenhuma chuva praguejada
Era tudo perfeito, nunca sentira lástima.

Ela via o que queria ver
Ouvia o que queria escutar
Era quem queria interpretar
E escondia os sentimentos que não queria mostrar.
Cada um vive no mundo que cria
E era só nisso que ela acreditava.
Era um fim de mundo, mas era dela.


Dentro

Talvez o meu problema seja a pressa.
Eu tenho pressa pra começar, pressa pra continuar, pressa pra acabar.
Eu tenho dificuldade de apreciar os momentos lentamente, e quando eles acabam, fico toda saudosista, vivendo no passado. Eu só aprecio de verdade meus momentos, quando eles já se foram. Aprecio-os na minha mente, da maneira que eu guardei as lembranças, da maneira que meus olhos entenderam, ou simplesmente presenciaram.
Eu falo muito quando estou com as pessoas, mas quando estou sozinha, pareço uma rocha. O que eu tenho de alegre, sorridente, falante e espontânea em público, eu tenho de quieta, imóvel e calada na solidão. Eu me fecho em minha mente e não dou espaço pra ninguém entrar. Muitas vezes, as pessoas se aproximam, passam por mim, falam comigo, mas a sombra que a minha mente põe em meus olhos não me deixa perceber. Se as pessoas que convivem comigo me vissem quando estou desse jeito, cortariam relações. Ninguém me aguenta nos meus momentos derivados de uma pedra.
E como sou mesmo uma pessoa apressada, até nos meus momentos de pedra não tenho calma. Sou o tipo de pessoa que anda pela rua como uma desesperada, como se o mundo fosse acabar. Ando rápido mesmo que não esteja atrasada, porque está aí uma das poucas coisas que eu demoro pra fazer: sair de casa.
A pressa me persegue, faz parte de mim, tira a minha capacidade de apreciar os momentos de minha vida. Talvez seja por eu ter tido alguns momentos realmente desagradáveis, ruins, que me fizeram desejar de todo o coração que acabassem logo. E agora, eu vivo no automático, tenho pressa até com o que não deveria ter.
Talvez seja isso, ou talvez eu seja apenas uma pessoa sem paciência mesmo, com loucura pelo novo, pelas transformações, mas que nutre dentro de si, os tantos fantasmas do passado.
Minha cabeça é mesmo um animal, tão feroz e brutal, que um dia ainda vai se alimentar de mim.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Ritual noturno


Enquanto gargalho e choro desesperadamente
Pela minha cabeça passam histórias que vivi...
Uma cadeira, uma festa, um Natal, uma briga, um dia mais feliz de todos...
A minha verdadeira vida se passa no íntimo de minha mente
enquanto estou deitada no escuro da noite.

As músicas continuam começando e acabando
Continuam mudando o que significam pra mim
E eu continuo dançando de olhos fechados
Lentamente ao reencontro do meu grande amor:
O passado.

E o vento vem
Passa por mim
Assim como tantas tempestades
Assim como dias de sol brilhante
Assim como tudo na vida.

Eu estou completamente apaixonada
Apaixonada pelo desconhecido
Apaixonada pelo infinito
Apaixonada por todos os meus amores antigos.
Eles me fazem feliz
Enquanto lembro-me da felicidade na qual estava imersa no meu tempo com eles.
No íntimo da minha mente
Enquanto estou deitada no escuro da noite...

No meio do caminho


No meio do caminho tinha uma pedra 
tinha uma pedra no meio do caminho 
tinha uma pedra 
no meio do caminho tinha uma pedra. 

Nunca me esquecerei desse acontecimento 
na vida de minhas retinas tão fatigadas. 
Nunca me esquecerei que no meio do caminho 
tinha uma pedra 
tinha uma pedra no meio do caminho 
no meio do caminho tinha uma pedra.

- Carlos Drummond de Andrade

quinta-feira, 8 de novembro de 2012


Poeira

Os sonhos se tornam,
As pessoas se tonam,
As promessas se tornam,
A vida sempre se torna...
Poeira.

Nunca foi fácil viver a vida na qual eu nasci
Porque quando eu cheguei, o circo estava armado
A única coisa que eu tinha que fazer era aceitar viver daquele jeito, como se eu não visse nada...
Mas eu nunca consegui isso
Eu nunca fui nada do que as pessoas queriam que eu fosse
Eu nunca me deixei virar poeira...

Eu tenho uma guerra na minha cabeça
Uma superpopulação no meu coração
E uma necessidade no meu corpo de algo que nem eu sei o que é...
Eu sempre quis ser livre e na única vez que cheguei perto de ser, vi tudo à minha volta se tornar poeira.
Mas eu não.
Eu nasci para permanecer de pé
mesmo que isso signifique ser a única que resta...

Eu admito que ficar por muito tempo no mesmo lugar sempre me incomodou
Talvez seja por eu saber que em alguma hora tudo se torna poeira
E eu odeio ter que ficar pra ver a destruição...
Eu odeio essa vida solitária
Mas prefiro ser solitária do que virar poeira.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Prédio em construção

No embalo dos sons da noite, talvez aquilo seja eu... Um prédio inativo. 
Ele está desmoronando? Não. Apenas não acabou de ser construído. 
Eu não sabia que viver poderia ser tão difícil... Tantos fatos e questões com os quais os "adultos" lidam... O que mais me chocou até agora, foi a comprovação nua e crua de que o amor "eterno" é para poucos... Muito poucos. Como disse Martha Medeiros uma vez: "Deveria existir educação para o divórcio". Eu nunca tive esse tipo de educação, mas nunca desisti completamente do amor. Um pouco sim, mas nunca totalmente. Talvez esse seja o choque entre fantasia e realidade. "Vou ou não vou?"
Aquele prédio sou eu. Solitário, ouvindo os sons da noite, com seus tantos andares desertos... Pouco a pouco as coisas vão se encaixando. Tijolo por tijolo, piso por piso, tinta por tinta. E quando ele finalmente estiver terminado, poderá receber pessoas.
Um homem andando na noite, numa calçada aleatória... Ele não consegue dormir por conta dos efeitos colaterais de ser um adulto. Ele pensa comigo: "Aquele prédio se parece comigo. Solitário na sua construção, em sua procura por coisas que nem ele sabe o que são... Uma jornada solo, mas com um final rodeado de pessoas. Aquele prédio se parece mesmo comigo... Dois solitários e estranhos, de um jeito parecido."