quarta-feira, 27 de abril de 2016

Cor 1


O que dizer? 
Há dois lados
Ou seriam três?
Minha pele me trai, todas as vezes 
Eu não sei como reagir
Sou sempre tão controlada por minhas emoções 
Minhas mãos têm necessidade de agarrar 
Algo que não seja abstrato 
Que tipo de pessoa se deixa controlar pelas mãos?
Que tipo de pessoa demonstra as emoções pela pele?
Eu não existo.
O que existe é vermelhidão, arrepio, respiração pesada, mente conturbada.
Onde meu corpo quer me levar?
Quero ficar e quero ir 
Mas eu não escolho nada: Cansei de brigar por isso há muito tempo, essa é uma guerra que eu não quero travar.
Se o Universo me fez assim, que seja,
Que me chamem de impulsiva, que me chamem de bomba relógio 
O fato é que eu não ficarei aqui por muito tempo 
A vida, na verdade, se chama Temporária
Mas o fato é que eu pareço meu batom vermelho 
Toda vez que entro na pilha da minha imaginação.

Não há nada para entender 
Onde vou, por onde andei, onde estou 
Tudo isso faz parte daquela coisa Temporária
Eu, você, ele, todos nós 
Não há motivo para travar guerra com minha própria alma 
Não há motivo para lutar contra minha natureza 
Num minuto, nada disso existirá
E saber essa informação é a única coisa que mantém minha mente 
à frente do meu corpo 
E me tranquiliza dentro desse furacão.
Talvez eu esteja perdida.
Talvez eu esteja apenas vomitando meu coração 
E me atrevendo a ser atrevida. 
Não há lados 
O que existe é 
Temporário. 

sábado, 23 de abril de 2016

Encerramento

[[MORE]]Hi everyone,I hope you are great!I’m going to do my best to work on my Q&A this year (I am very behind!)This is a very unique project as it gives me an opportunity to make special GIFs for those who take the time to write to me :)For those who do prefer a private message do let me know, otherwise I might publicly feature your post :0Once again thank you everyone! Thank you for your nice comments -  I really appreciate it! I’ll do my best to make work for you to enjoy :)
http://nankliang.tumblr.com/post/142235577297/more-hi-everyone-i-hope-you-are-great-im


Quando tiro o óculos, a lua é apenas um brilho borrado
Que eu observo na janela do ônibus, com "I Wish I Was The Moon" no ouvido.
Quando olho no espelho, vejo quase 22 anos de incertezas.
Tristezas, alegrias, muita luta e esperança.
Vejo amores perdidos, crises, drenagem de amor, noites em claro, manhãs sonolentas.
E me vejo, algumas vezes perdida, no mistério total dos olhos de
alguéns.

Quando tiro o óculos, a lua é apenas um brilho borrado.
E você também me vê assim... Você vê, pouco a pouco, meu brilho indo embora...
Você levou tudo.
Mas meu fraco brilho resiste.
Luta pra viver
Luta pra continuar aqui
No mesmo corpo
Que já recomeçou tantas vezes.
Quase 22 anos
Minhas costas pesam 100 anos
Eu sobrevivo.



quarta-feira, 13 de abril de 2016

Vivos

Talvez eu chore em algumas noites,
E me anestesie para suportar alguns dias.
Talvez eu tenha tanta coisa acontecendo na minha cabeça
Que acabe perdendo todas as coisas concretas que acontecem à minha volta.
Concluo que penso demais 

E perceber isso já é um começo.

Talvez pense pouco no que deveria,
Talvez eu idealize demais a ideia de felicidade,
Pois eu sei que a felicidade não é algo constante, são apenas momentos breves de coisas que te dão disposição para continuar vivendo.
Talvez estejamos buscando tanto a felicidade plena
Que entramos num ciclo de perda dos pequenos momentos de felicidade à nossa volta
E assim sentimo-nos todo o tempo, incompletos.
Pois esses momentos constroem uma vida real.

E a vida real nos dá exatamente o que a realidade trás: dias bons e ruins 
Pois somos de carne e osso, e apenas isso nos pertence.
Talvez a vida real decepcione muito menos
Do que as expectativas exageradas
Da idealização de felicidade.

Talvez devêssemos esquecer de tudo 
E apenas começar a viver.
Quem sabe assim, finalmente 
Nos sentiríamos apenas 
Vivos. 

quarta-feira, 30 de março de 2016

Sopro

Me abrace forte uma última vez 
Jamais me deixe ir... 
Faça durar para sempre... 
Eu não quero mais viver de memórias 
É tempo de algo novo, 
Pois a vida é fraca como um sopro. 
Isso é o tempo virado do avesso 
E eu já não posso mais viver no mais ou menos. 

Me beije pela última vez 
Talvez te peça pra passar a noite 
Mas de manhã terei ido... 
Você não terá mais a chance de me abraçar quando sentir frio 
Terá apenas a lembrança da cama quente... 
Quero que fique pra você. 

Quando eu me for, não quero raiva, 
Nem promessas disfarçadas 
Da falência que fomos nós. 
Portanto, me dê a última olhada 
Segure minha mão uma última vez 
Pois a vida é fraca como um sopro 
Isso é o tempo virado do avesso 
E eu vivi assim por muito tempo. 

Me abrace forte uma última vez 
Tente me manter aqui 
Mas saiba 
Que é tempo de algo novo 
E eu já fui embora várias vezes... 
Mas dessa vez 
Eu simplesmente não existo mais aqui 
Deixo todas as lembranças pra você... 
Me abrace forte um última vez...

terça-feira, 29 de março de 2016

Aquela coisa de sempre e mais outra coisa

O tempo não me sente, 
Mas eu o sinto. 
Anos atrás, ouvi a mesma música 
Anos atrás achei que tudo acabaria
Eu ainda estou aqui... 
Nada mudou.

O tempo não me sente, 
Mas eu o sinto. 
Gostaria de não sentir... 
E de não perceber 
Que tudo permanece igual.
Às vezes só queria que 
Houvesse uma explosão 
Onde tudo seria obrigado a terminar
Para que eu pudesse então 
Construir do zero
Mais uma vez.

Pois meu vício em mudanças não passa 
E o tédio que a rotina me causa, perdura. 
E eu já não sei mais como aceitar 
Que haverão tempos de mais do mesmo 
Que haverão fases de estabilidade 
Mesmo que essa estabilidade não seja boa 
Ela virá para mim mesmo sem eu ter pedido 
Assim como o vento venta sob condições 
Que estão além do meu controle.

Eu quero me construir do zero 
Pois todo dia, quando sinto o tempo 
Tenho medo de ser tarde demais.
E esse é o desespero maior de mais uma madrugada igual
À tantas outras 
Que eu já não suporto mais 
Pois meu vício em mudanças não passa 
E o tédio que a rotina me causa, perdura.

O tempo não me sente, 
Mas eu o sinto.
Esse é o pior dos amores não correspondidos.
É como uma mulher que seduz lindamente 
Mas nunca chega perto o bastante
Para acontecer o beijo.
Talvez o tempo seja eu
Talvez eu não seja ninguém
Além de uma ansiosa perdida num inferno astral de madrugadas sem fim
E nada disso importe 
Assim como nada 
Do que eu controlo importa:
Quero apenas o que não tenho.

segunda-feira, 21 de março de 2016

Votos de renovação



Vento de Outono...
Já posso te sentir. 
Ao meu redor, 
Na minha pele, 
Descabelando meu cabelo. 
Você já chegou.

Sei que você chegou, 
Pois as noites não estão mais tão quentes. 
Sinto pequenas brisas arrepiando minha nuca, 
E mesmo os vendavais que vem do mar, são tranquilos.  
Sinto paz... 
Finalmente consigo respirar.

Eu escrevo e reescrevo meus planos... 
Mil vezes 
Até finalmente rasgar e jogar fora, 
Pois a minha vida sempre foi um Rio de Janeiro 
De estações indefinidas. 

Hoje, 
Estou descalça 
No primeiro andar do prédio. 
Dançando perto das escadas 
Acompanhada dos ventos 
Do meu amado Outono.

Logo será maio, 
E haverá um novo número. 
Eu nunca fui boa com números, 
Mas sempre fui boa com esperança.
Aquela minha velha esperança renovada 
Pelo ventos de Outono. 

E se me sinto assim,
É porque sei que você já chegou. 

terça-feira, 15 de março de 2016

O bêbado e o crente



Igreja bem ao lado de um boteco.
Dois tipos de pessoas, mesmo propósito:
Frequentar lugares que lhes proporcionem consolo para as tantas adversidades do cotidiano.
Nos dois lugares existem pessoas que não querem enxergar a realidade
Nos dois lugares há a tentativa de fuga.
O bêbado se embriaga pra aguentar continuar vivendo apesar de toda merda que acontece com ele;
O crente reza para achar algum propósito em toda merda que acontece com ele.
Dois sonhadores,
Dois iludidos.
Dois infelizes,
Dois perdidos.
Ambos querem chegar ao paraíso: O crente reza pra que possa entrar no paraíso quando morrer
O bêbado bebe pra que possa encontrar um pouco desse paraíso enquanto vivo
Pois tem consciência de que depois de morto
Há apenas terra.
Já o crente muitas vezes esquece
Que a terra é inevitável e acontecerá para todos
Inclusive pra quem paga o dízimo
E pra quem recolhe.
Um dia estarão lado a lado, mais uma vez
Bêbado e crente
Debaixo da terra inevitável
Sendo tomados por vermes. 
Não muito diferente do que tiveram em vida 
Pois num boteco ou numa igreja 
Nessa vida somos revirados por todos os tipos de vermes 
Às vezes somos os próprios vermes em nossas vidas 
Às vezes outras pessoas são
Acelerando o processo de morrer 
Todos os dias 
Até o grande final em que somos jogados para servir de comida 
De mais vermes malditos.
É a vida. 
É a morte.
Que diferença faz?

A madrugada cabe em mim

A madrugada cabe em mim
Junto com todos os sonhos do mundo.
Mas eu sou grande demais pra ela 
Sou barulhenta,
Confusa,
Caótica.
E ela não quer me acolher,
Embora arrombe minha porta sem nem me dar escolha.
Me invade e não me deixa em paz
Porque sabe que cabe em mim
A madrugada sempre age assim.

Eu peço-a um tempo: Me deixe dormir 
Não quero passar outra noite olhando a rua pela janela da sala, ou do quarto 
Não quero passar outra noite olhando pro teto
Vasculhando memórias que já nem fazem sentido 
Mas ela não deixa, a madrugada não me deixa
Já passei tantas vidas de madruga 
repetindo as mesmas músicas 
Ouvindo meus hinos 
Os que embalam minhas noites melancólicas 
Gritando os alegres 
torcendo para ter um dia seguinte melhor.

Quantas vidas de madrugadas mais serão necessárias 
Para que meu sufoco seja sufocado?
Meus gritos já não têm voz
Minhas lembranças já não reconhecem-se mais 
como meras lembranças.
 
De repente, tudo parece ter vida 
Todos os meus demônios internos 
De todas as vidas de madrugada 
De todas as vidas de dias claros 
De todos os momentos em que eu achei que fossem capazes de entrar na minha pele 
E revirar meus pensamentos 
De todas as vezes em que vivi vidas inteiras dentro de madrugadas.

Mas eu ainda estou aqui 
(ainda há vida)
(...)

domingo, 6 de março de 2016

Em momentos como esse

Em momentos como esse,
Só o que preciso fazer é 
Chorar, 
(minhas lamentações que só as paredes podem entender)
Escrever, 
(quando eu já chorei o suficiente e restam apenas palavras)
Beber 
(quando já não restam nem lágrimas e nem palavras
quando restam apenas lembranças repetindo-se sem parar na minha cabeça, como uma espécie de tortura)


Em momentos como esse 
Pensa-se que o dia amanhecerá chuvoso 
(mas o mundo não para porque estou magoada)
Não.
Eu ainda tenho que trabalhar,
Comer,
Me vestir,
Lavar a louça,
Fazer café,
Tomar banho,
Passar maquiagem,
Ainda tenho que fingir 
Que não estou chorando no último assento do ônibus.


Em momentos como esse,
É difícil admitir 

A facilidade com a qual nos tornamos clichê
Desde que começamos, até aqui
E assim seremos até o fim
Onde nós dois chegaremos um dia

(pois o ser humano sempre é mais clichê do que pensa). 

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Uma breve história sobre meu primeiro porre - e o que aprendi com ele


Sempre critiquei quem bebia demais e acabava dando vexame debruçada na privada, com alguém segurando seu cabelo pra trás, ou simplesmente saindo do banheiro com o cabelo todo vomitado. Sempre critiquei isso e me esforcei imensamente para manter esse tipo de "acontecimento" bem longe da minha vida. 
Mas aos 21, lá estava eu, debruçada na privada, cabelo preso num coque (que tinha feito antes de esvaziar quase uma garrafa inteira de vinho), no escuro do meu banheiro que tinha um interruptor nada funcional, com minhas duas amigas olhando da porta e rindo do desastre que era eu naquele momento. Mostrei o dedo do meio pra elas, mas a verdade é que eu também queria rir. Acho que nunca estive tão patética na vida, e pra falar a verdade, aquilo nem era tão ruim, pois eu estava em casa. Poderia ter sido pior. 
Eu não me lembro porque comecei a encher meu copo repetidamente. Acho que o gosto do vinho estava bom demais pra ser verdade, eu me sentia leve, leve, leve, cada vez mais leve... Meus amigos ali fumando, o guacamole na nossa frente, tinha alguém dançando, uma música estranha tocava sem parar e me lembro de achar aquilo tudo engraçado de uma maneira que eu não deveria achar. Bebi até não restar mais nada pra beber. E aí me deu sono. E aí eu quis dormir porque lembrei que tinha uma entrevista de emprego no dia seguinte. Mas não conseguiria ir pra cama, pois a seguir viria a cena que narrei acima. Multiplica por dois. 
Quando finalmente consegui dormir, parecia que havia passado apenas um minuto, e lá começa o despertador a me perturbar, às 7:30 AM. Tantos dias pra ter meu primeiro porre, fui escolher logo na véspera de uma entrevista de emprego! 
Estranhamente não me sentia tão mal, me sentia apenas cansada, mas nada como aquelas pessoas dos filmes que acordam morrendo depois do porre do dia anterior, talvez porque minha amiga me obrigou a tomar água antes de dormir.
Tomei um banho, tomei café da manhã, passei uma maquiagem leve, e lá fui eu, com a minha blusa de entrevista, encarar o sol de verão do Inverno do Rio. Tava calor e de vez em quando eu sentia um leve enjoo. Passei a manhã inteira fazendo o processo seletivo, bem demais pra falar a verdade. Não fiquei nervosa e nem ansiosa como costumo ficar, fiz uma boa entrevista, apesar do meu teste de conhecimentos não ter sido tão bom assim, afinal, já era formada no Ensino Médio há quase 5 anos. Pelo menos me salvei na redação. 
Acho que não fiquei nervosa porque ainda não tinha assimilado tudo o que havia acontecido no dia anterior. Eu estava numa pequena crise existencial pelo que havia acontecido, ia contra alguns dos meus grandes princípios. 
Mas a verdade é que eu já estava precisando de um porre há muito tempo. Às vezes você só precisa ficar fora de si pra enxergar as coisas numa outra perspectiva, mesmo que essa perspectiva seja seu vômito no vaso. Naquele dia eu vi que tudo sempre muda e todos são capazes de quase tudo. Quem é uma rocha imutável? Eu não sou, e na verdade realmente precisava disso pra relaxar e aceitar que não posso fazer tudo certo o tempo todo e que tudo bem por isso. 
Todos nós precisamos fazer coisas estúpidas de vez em quando, todos nós precisamos de um intervalo nas cobranças pessoais e busca excessiva pela perfeição... Não que eu tente ser perfeita, mas é verdade que às vezes me estresso pela importância desnecessária que dou à certas coisas. 
Aquele porre foi minha expiração, porque até então eu só inspirava.