quarta-feira, 17 de maio de 2017

Nó e gravidade

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E então... Aqui estou eu novamente 
Com esse mesmo nó na garganta 
E esse mesmo buraco na alma... Por mais clichê que pareça.

Não suporto entrar nesse estado... A última vez foi há quase sete anos 
E minha vida parou.
Não sei nem explicar o que estou sentindo 
Só sei que estou com uma dor de cabeça terrível 
E vontade de nunca mais abrir os olhos.

E sim, eu já esperava por isso
E sim, eu já estava preparada pra isso 
Mas mesmo assim, aqui estou eu, jogada no chão 
Parece que de repente a gravidade pesou em mim quatro vezes mais forte que o normal.
E eu não consigo comer, porque o nó na garganta não deixa a comida passar 
Não consigo me concentrar porque estou fora do ar... 
Estou completamente fora do ar
E não adianta deixar recados, pois ficarei fora do ar por bastante tempo. 

Não adianta tentar me fazer rir, pois será apenas uma ação mecânica 
Não há nada de bom saindo desse buraco que costumava ser preenchido 
Com o que... Nem eu lembro mais 
Então os próximos meses serão de ações meramente automáticas 
Cara na janela, corpo no chão, coração nublado. 

E então... Aqui estou eu novamente.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Densa

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Eu tenho um gênio ruim. 
Sou impaciente, falo quando deveria ficar calada, xingo feito homem que escarra. 
Não gosto, sei que não deveria
Mas sou filha de quem sou filha 
e seus mares deveriam estar de ressaca no dia em que nasci, porque eu tenho um gênio do cão 
Gênio que me faz gritar, que me faz querer correr, 
me faz querer arrancar as amarras com os dentes. 
Iemanjá, o que aconteceu no dia em que nasci? 
Acho que haviam trovões por todos os lados, Iansã também deveria estar presente, vocês duas e Nanã, porque eu sou assim, estranha mesmo.
Nasci com os cabelos rebeldes, não dormia na hora que deveria, enchi minha mãe de agonia, o que aconteceu? 

Sim, eu tenho um pouco de loucura em mim.
Quem não tem? 
Porque todos têm tanto medo de entrar em contato com suas partes mais obscuras? 
Eu sou um mar de ressaca
Tempestade mais negra que o céu já viu 
Sou vento que leva tudo embora 
Sou a lama naquela poça que está quase secando:
Densa.
Eu sinto demais 
E não me aguento calada.
Pois sim, eu não tenho controle, mesmo quando eu não quero, tudo escorre pelas minhas mãos 
feito água
Se eu não grito, minha pele mostra 
Se minha pele não mostra, meu olhar esclarece
E eu aguento por um tempo sim, aguento um pouco calada 
Até não aguentar mais.
O que aconteceu?

Eu tenho um gênio ruim. 
Sou meio selvagem, meio arredia, meio desconfiada. 
O que aconteceu?

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Ninhos




Sou uma pessoa de ninhos.

Sou de ninhos pra dormir, sou de ninhos pra pensar, sou de ninhos pra me relacionar, sou de ninhos pra morar.
Durmo enrolada, com a cabeça coberta, aninhada.
Penso sentada ao lado da janela do ônibus olhando o céu, me deixando levar pela música nos fones de ouvido, aninhada em meus pensamentos.
Tenho poucos amigos, estive em poucos relacionamentos significativos, é tudo bem reduzido pra caber no meu ninho.
E finalmente, eu moro num ninho. Não importa onde, não importa como ou quando, onde eu estiver morando será meu ninho.

Eu aprendi, da maneira mais realista possível que ninhos podem ser facilmente transportáveis, são os elementos externos, os complementos, esses sim são os difíceis de carregar. Eu sinto saudade de tantas pessoas, que nem posso começar a explicar. Mas de alguma maneira acho que a chuva que escuto cair aqui, eles escutam cair lá. As notícias, aquelas coisas que nos tornam o mesmo povo, isso tudo, de alguma forma, nos une.

Há coisas que continuarei tendo apenas nos ninhos da minha cabeça. Lembranças de perfumes, ou cheiros específicos, vozes repetindo palavras que eu costumava nem pensar sobre, pois escutava o tempo todo. E eu. Eu fazendo o melhor que podia, eu fracassando, eu surtando, eu sendo humana, pois eu era energia divina quando sabia amar, mas era uma humana tola quando não dava conta de todos os sentimentos ao mesmo tempo. Essas são as coisas das quais eu nunca vou esquecer.

Minha bagagem é enorme. Carrego todos os tipos de pessoas e coisas, além do meu ninho e eu mesma. Vou continuar sendo humana toda vez que me arriscar sem ter certeza de nada, vou continuar sendo humana toda vez que ousar sonhar, vou continuar sendo humana toda vez que quiser morrer, vou continuar sendo humana quando me sentir solitária e vou continuar sendo humana quando tiver meus dias bons, momentos felizes entre uma conversa e outra, ou entre um café e outro, .

Eu, dentro do meu ninho, que acomoda vários ninhos diferentes. Não é open house, não é escancarado, não é nada do que você imagina. É algo que eu tento entender todos os dias, pois apesar de fazer parte de mim, é sim muito confuso.

Humana de novo… Um dia eu chego lá.

domingo, 9 de abril de 2017

Minha pele não tem nada além de sensação

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Minha pele não tem nada além
de sensação.
Minhas roupas não dizem nada sobre mim,
meu cabelo de lado não é especial.
Eu sou o que sou
mesmo que ninguém saiba o que signifique
isso não faz com que eu deixe de ser.

E eu estou coberta
Coberta por solidão, arrependimento, raiva, loucura
Coberta por esperança, amor, tesão
Arrepios na minha pele toda vez que me lembro de outra pessoa, em outros tempos
Arrepios na minha alma quando volto a realidade e vejo como não tenho mais aquele toque.

No escuro da noite,
você pensa que eu faço coisas terríveis
Mas a verdade é que eu só deito e encaro o teto
Penso em tudo o que eu já tive de maravilhoso
E tenho absoluta certeza de que me falta adrenalina.
A caipirinha de ontem não resolveu
Verdade, eu acordei hoje com dor de cabeça,
como uma espécie de lembrança de uma das poucas vezes que me permiti “sair da linha”
Mas isso não foi nada perto do que eu preciso.

Minha pele não tem nada além de sensação
O vento, o sol, a chuva, a luz da lua
Tudo isso, essa pele sente
E os mais sufocantes sentimentos humanos que nem sei como começar a explicar.
Alguém que fui, coisas das quais não me orgulho, mas tantas outras que queria de volta, por medo de que hoje em dia eu não seja quem eu tanto quis ser
Ou que não me torne quem sempre quis no fim.

Sensação, toque, cheiro
Eu reconheço as lembranças pelo cheiro
Sou humana de uma maneira que não gostaria de ser
Uma espécie de música que não fez sucesso
Um pequeno brilho no completo escuro
Uma lágrima em meio a tanta felicidade
Sorriso e grito
Gratidão e mágoa
Eu sou todas as sensações do mundo.

sexta-feira, 24 de março de 2017

O tempo do meio

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(porque dias nublados me inspiram?) 
Eu luto para que a correria do cotidiano não me deixe esquecer 
Ou que os dias de inércia não me paralisem... 
Vejo as árvores velhas do centro da cidade
(e eu)
Vejo a mim.
Cansada como uma velha, 
Esperançosa como uma menina, 
Pois é a única coisa que me mantém tentando. 
(tentando o que?) 

O outono chegou essa semana, ainda bem.
Agora posso começar a respirar. 
(a afobação do verão me deixa desorientada), 
No outono posso realmente parar pra pensar. 
Até lembrei do sonho que tive 
(uma espécie de aviso pra mim mesma) 
Que eu vim parar aqui, e não tem volta 
Agora posso apenas continuar em frente 
Isso tudo é apenas o que é 
Eu e todo mundo tentando adaptação 
Às novidades que acontecem quando você não está no que foi e nem no que será.

As coisas ainda estão destorcidas 
Mas já estiveram piores. 
É a transição 
E eu não posso controlar 
A metamorfose do tempo que era para o que será.
Eu estou no meio
Olhando em volta, tentando entender 
Mas a cada segundo as coisas mudam 
Porque eu ainda não cheguei no tempo que será 
E o meio 
O meio é uma zona conturbada que te faz duvidar o tempo todo 
Uma espécie de teste pra saber 
Se estou pronta pra chegar no tempo que será.


(porque dias nublados me inspiram?)

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Lar?



Minhas roupas não têm cheiro de mim.
Não mais.
Eu conhecia o cheiro das minhas roupas, identificava como o mais perto do que seria "lar" para mim, eram lavadas com meu sabão líquido para roupas, a marca que eu gostava.
Agora minhas roupas cheiram a todos os lugares. Casas onde lavei, uma parte aqui, outra lá. Mas com certeza não cheiram mais a lar, ou a mim. 
Eu sei que mudanças são difíceis, mas não imaginava que essa em particular custaria meu cheiro nas minhas roupas. E eu tenho que dizer que são as pequenas coisas que se vão, que pesam em toda mudança. 
Não é o lugar, mas o caminho que eu fazia para chegar até ele. Não é o ventilador, mas o som que ele fazia no meu ouvido, numa posição específica da cama, que não existe mais. Não é a mesa, mas a maneira como ela se iluminava quando o sol batia no fim da tarde. A mudança em si não é difícil, difícil é se acostumar com as pequenas perdas, os pequenos cortes, pequenas coisas do cotidiano que talvez ninguém perceba, até não existirem mais.
E enquanto eu levanto as alças do meu vestido, sentada no ônibus, nesse fim de fevereiro infernal, voltando com minhas roupas lavadas dentro de um saco amarelo, eu me pergunto: Para onde estou voltando?
Depois das longas noites chorando a minha vida, buscando algum resquício de esperança, perdoando a minha mãe, me culpando por tudo e fazendo cortes na minha vida, essa pergunta continua ecoando pela loucura que é a casa bagunçada na minha cabeça: Pra onde estou voltando?

O fim do horário de verão traz os primeiros sinais do início real de 2017. Logo o carnaval passará, então será oficial... Para onde estarei voltando então?
Para onde estarei voltando todos os dias, quando sair das minhas 7 matérias da faculdade, onde será meu lar? Será esse lugar que todos dizem ser temporário, todos parecem falar de uma maneira específica para que eu não crie vínculos, para que não aja a associação com um lar? Pois, de novo, este ainda não é o meu lar. E após 5 mudanças em 5 anos, eu começo a me perguntar se lar é algo que realmente existe. 
Para onde voltarei então?
Eu apenas sinto saudade de estar em paz comigo mesma, pois ultimamente temos vivido em pé de guerra, eu e eu.
Ninguém melhor que nós mesmos para nos destruir. A pressão, a crítica, o julgamento, e tudo o que há de pior na falta de amor próprio, está, mais do que nunca, presente na minha vida.
Para onde estou voltando?

Espero um dia ter a resposta para as maiores perguntas que assombram a minha vida.
Existe lar? E se existe, onde fica?

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Sinos da Igreja

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Sinos da igreja 
Cores do fim de tarde, iluminando minha mesa
Raios de fim e de começo 
(O amor acaba, mas há esperança)
Brisa leve...
Pensamentos explodindo da minha cabeça em estado de enxaqueca 
Faz parte 
Vai passar.

A certeza de que o amor acaba 
A certeza de que outros começam 
As incertezas da vida  
Nada segue em linha reta 
Não andamos em asfalto liso 
Ninguém é tão ruim, ninguém é tão bom.

Mas ainda bem 
Existem os recomeços 
Existe o café do fim de uma tarde de fevereiro 
Nos raios do fim do dia 
No escuro do começo da noite 
Eu sobrevivo.
A vida continua e eu sigo em frente 
Andando descalça nessa terra esburacada 
Chamada vida.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Folhas secas

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É isso.
É isso o que nós somos... Poeira e folhas secas.
Somos as folhas que voam quando o motor dos ônibus dão a partida
Somos essas folhas e essa poeira que são vistas apenas porque causam incômodo
Estes somos nós.

Talvez eu não devesse falar por você...
Talvez. 
Mas eu falo, porque sou eu
É a minha vida também. 
Somos folhas caídas da mesma árvore 
De uma vida compartilhada que acaba no outono 
Estes somos nós.

Não se engane achando que nada acontecerá porque é verão
O sol quente queima as folhas e as deixa sem forças 
Estes somos nós.
Nada dura pra sempre, segurança é ilusão 
E mais uma vez, estou no outono da minha vida 
Em processo de renovação
Morta... Voltarei a vida quando estiver pronta.
Mais forte, sem você
Porque morremos nesse outono 
Pra retornar em verões de hemisférios diferentes

Agora, sou folha seca 
Mas logo serei flor novamente.  

domingo, 22 de janeiro de 2017

Desventuras em série

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Não, ninguém vai parar esse trem.
Há mais de duas décadas ele corre na mais alta velocidade, desgovernado.
Vai de acordo com a direção do vento:
Sendo um elemento da natureza, jamais a contraria. 
E essa é sua natureza
É correr e descobrir e redescobrir 
O que todos pensavam que não existia 
Ou que havia acabado.
 
Esse trem vai, vai, vai...
Tem gente que embarca no caminho e vai embora depois 
Às vezes ele corre pelas noites sozinho até encontrar alguém novamente 
Às vezes ele finge que não viu ninguém, porque não quer parar 
Esse trem está mudando constantemente 
Me lembra a vida
Essa vida que não podemos controlar 
Assim como não controlamos um arrepio na nuca durante um solo de guitarra 
Ou um beijo. 

Não, não dá pra controlar a natureza 
Não há início nem fim
Há apenas o que há 
E tantas outras coisas desconhecidas 
Como essa série de desventuras 
Chamada vida.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Terça-feira de maio

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Quantos anos já passaram desde que eu nasci naquela terça-feira de maio? Às vezes parecem séculos.
Os outdoors nas ruas desejam boa sorte e comemoram a chegada de 2017, como se a vida tivesse mudado magicamente entre 23:59 e 00:00.

Não.

Mas com certeza a vida mudou radicalmente inúmeras vezes desde aquela terça-feira de maio.
Antigamente as casas eram cheias de paredes e portas. As pessoas tinham muito a esconder, porque cada coisinha fora da “moral e bons costumes” era condenável. As pessoas queriam distância e privacidade em seus casamentos infelizes e enjaulados, as pessoas queriam a sensação de separação, mesmo que fosse só uma ideia criada por uma parede, uma “pequena morte” talvez.
Hoje em dia, quando se compra uma casa antiga cheia de paredes desnecessárias, a maioria das pessoas quer demolir tudo. Porque hoje em dia existe o conceito de ambiente aberto, para que assim haja uma visão completa da casa sem necessariamente ter que ficar do lado dos outros. É uma solidão envergonhada de admitir que é solitária, é a necessidade extrema de estar com o outro, nem que seja apenas para ter uma visão com uma distância de dois metros.
Eu quero comprar uma casa com um ótimo ambiente aberto, mas quero uma parede grossa, uma porta grossa, uma fechadura forte no meu quarto. Não quero invasores, não quero revelações, tampouco manter segredos, do que preciso mesmo é da noção de compartilhado e privado que as pessoas parecem ter deixado de entender.
Eu fui uma vez parte da minha mãe, um terceiro braço, o coração do lado de fora, os dois mundos eram praticamente apenas um e não existia qualquer tipo de separação. Era um programa do Animal Planet.
Sim, muita coisa mudou desde aquela terça-feira de maio.
Cresci com a noção de que sou minha e apenas minha, e o que qualquer pessoa enxerga na superfície não revela nem metade do quebra-cabeça que eu sou, e nunca revelará. Bom pra elas, e um trabalho eterno pra mim, pois quem pode dizer que se conhece completamente e que não falta nada, e que nada mais o surpreende, não é da Terra. Ou pelo menos não da minha realidade.
Quem eu sou, quem eu fui, quem eu irei morrer um dia, são verdades minhas, são casas antigas cheias de paredes e portas desnecessárias querendo ser espaços abertos e grandes, querendo se livrar dos pequenos cômodos entupidos do que não importa mais.
Mas a vida é a vida, e ela não acontece do jeito que queremos.
Tenho certeza que naquela terça-feira de maio eu planejei coisas completamente diferentes das que hoje compõe minha realidade.
E se um dia fui 10 de maio de 1994, às 18:48 da noite, hoje em dia sou apenas uma terça-feira de maio.


sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Comida e tudo envolvido

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Sendo alguém prestes a começar a preparar a ceia do Ano Novo, posso dizer que, seja cozinhando só pra você, para amigos ou família, ou trabalhando com isso, é necessário dedicação, paciência, uma boa música alta, preparo para possíveis fracassos, brindes aos êxitos, mas sempre muito, MUITO amor.
Tem que amar a cozinha, tem que amar descongelar as carnes, tem que amar escolher os ingredientes, tem que amar a receita que estiver fazendo, tem que amar a comida e o ato de comer, tem que amar satisfazer uma necessidade tão básica do ser humano, tem que amar ver todos ao seu redor comendo, tem que amar uma mesa cheia e tem que amar as pessoas. Sim, as pessoas. Cozinhar pra si mesmo é amor próprio, cozinhar pros outros é cuidado. E tem que amar muito tudo isso pra encarar a louça, a limpeza do fogão, do forno, e de todo o resto depois, como algo que faz parte. Tem que amar muito!!!
Então o que eu desejo mesmo pra 2017, pra mim e pra todas as pessoas que eu amo, e pras outras que eu nem conheço, são comidas maravilhosas, conversas durante o jantar, alegria, ajuda pra limpar a cozinha, gargalhadas altas, amor, amor, amor.
Amor nas receitas complicadas e nas mais simples, amor na vida!!!
Feliz 2017, e vamos começar a preparar a ceia!!!

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Banheiro

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Talvez sejam os dias e noites quentes.
Talvez sejam os mosquitos poluídos da baía de Guanabara;
Talvez seja a certeza de que eu nunca estive no lugar certo, a certeza de que ainda não encontrei meu lar.
Talvez seja a vida me fazendo dar voltas e mais voltas...
Batendo com a cara na porta,
Pulando janelas,
Arrombando portas.
Talvez seja eu sempre sendo melhor em poesia do que em prosa.
Talvez seja eu pensando em metáforas pra descrever todos esses sentimentos confusos,
Tentando expressar a tempestade que tenho aqui dentro,
Tentando verbalizar imagens...
Eu, enrolando, escrevendo trancada no banheiro como fazia quando era criança.
Bem, eu não sou mais criança, mas não parece que muita coisa mudou...

Eu amo mais pessoas do que realmente posso suportar...
O amor sempre acabou comigo,
Talvez seja esse o problema.
Talvez seja o fato de eu não conseguir encontrar um cabelo que realmente traduza o meu verdadeiro eu, porque não há.
E talvez seja o fato de eu não conseguir realmente aceitar isso
E tudo isso,
E tudo aquilo que eu não ouso falar.
E tudo aquilo que um dia vai acabar me matando sufocada...
Minhas playlists estranhas,
Minhas listas secretas,
Meus planos inúteis,
Minhas mãos atadas,
Meus pés cansados,
Meus olhos míopes vagando, totalmente abertos.
Tudo o que é meu e tudo que não é,
Tudo o que só existe em mim e tudo que já foi meu, não é mais, mas não vai embora.
Tudo que tento explicar o mais rápido que posso, mas não consigo...
Tudo que nasceu comigo e tudo o que me encontrou depois,
Talvez tudo isso e tantas outras coisas que eu nem sei ainda
Sejam os problemas...
Ou as soluções.

É sempre uma questão de ponto de vista, não é?

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Nós

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Não é possível ver nas cartas o necessário, 
Não é possível guiar-se pelos mapas 
De cada ano.
Não é.
Não há nada que explique isso.
Eu, única mulher de quatro filhos, a mais velha, 
"A destemida", é o que todos dizem.
Mas o que sou eu se não um mero esperma sortudo 
O que sou se não alguém cheia de medos tentando fazer o melhor que pode?
Sim, estou falando em voz alta
Meu pai não sabe, minha mãe não imagina
Mas eu sofro de medos inúmeros que muitas vezes me mantém acordada até o primeiro raio de sol.
E eu preciso escrever sobre essas coisas, já que não sou autorizada a falar 
Pois eu, única mulher de quatro filhos, a mais velha,
"A destemida", a primeira a ir embora e tomar sua vida para si 
Eu, não tenho autorização para ter fraquezas. 
Não há nada que explique isso.
Não há nada que explique... 
Eu,
Ou nós,
Ou nada. 
Nada. 
Mas essa sou eu,
Sou eu em carne viva, 
Sou eu crua,
Sou eu revelada.
Eu não sei exatamente quem sou
Mas vocês sim.
Vocês estavam lá comigo no início e no meio.
Passamos por coisas parecidas, 
Salvamos uns aos outros
Choramos e rimos de nossas próprias desventuras 
Que acontecimentos desse mundo de cão nos fizeram passar.
Acho que quando fui embora, vocês racharam um pouco,
Mas eu rachei por completo,
Eu desabei,
Desmoronei, 
Mas tive que aprender a me juntar de volta. 
A primeira vez foi a pior, 
Agora só sinto um gosto amargo na boca. 
Mas como café, tornou-se algo básico para continuar em frente.
Não, não tem explicação.
E eu não culpo ninguém por nada disso, não mais.
Tenho tentado esquecer o passado, pois só envenena meu presente e destrói meu futuro.
Mas vocês ainda se lembram, nós nos lembramos por mais que tentemos tanto varrer pra baixo do tapete.
Vocês sabem que não estou autorizada a falar sobre isso
Vocês sabem que não podemos falar sobre nada disso.
Mas eu ainda consigo escrever,
E é a única coisa que me mantém sã.
Lá se vai aquela vida...
Mas como dizer que se foi 
Se foi exatamente ela que me fez ser quem sou hoje? 
Não tem explicação pra nada disso
A dor vive de mim
Mas eu também vivo dela. 

Não há nada para lembrar

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Ela está deitada. 
É tarde da noite, ela está no sofá da sala, encarando o teto no escuro. 
Pela janela aberta é possível saber que está ventando, as cortinas voam por todos os lados, e de vez em quando é possível ver uma parte do tecido ou outra, graças as luzes dos faróis do carros que passam.
Janela de frente pra rua, apartamento de primeiro andar. 
Som. 
Som,
Som.
Um silêncio ensurdecedor naquela casa que ninguém quer morar, mas ela se mantém enraizada, se mantém pensativa nas suas coisas, nas suas pessoas, na sua vida. É tudo seu, não há ninguém que possa negar isso. 
Mas ela se prepara para sair. É tarde na noite, é tarde na vida.  
Não há um anúncio de algo novo, não há um momento de tensão, há apenas uma virada, inesperada, brusca, agressiva. Pois é assim a vida. 
Calça um sapato, depois outro. Fecha as janelas e abre os olhos,
Está na hora.
Está
Na
Hora. 
Corra! 
Apenas corra e esqueça o resto, não vale a pena se agarrar aqueles sentimentos ultrapassados.
Apenas vá
É pra isso que a vida existe: Pra agarrar a liberdade que é sua e ir embora. 
Ninguém nunca te viu, você nunca esteve aqui, nada disso jamais será lembrado.
Vá.
Vá com o vento, deixe as portas abertas, deixe que peguem o que quiserem, deixe pra trás o que costumava ser seu, pois nunca foi, e nem será, não é. 
Apague a água do café, você não terá tempo de tomá-lo. 
Parece um céu bastante estrelado lá fora, vá sem medo. 
Suma como se nunca tivesse existido, pois você nunca realmente existiu
Não há ninguém lá fora pra você, não há
Mas quem está aqui dentro não parece te fazer muito bem.
Então vá, vire um fantasma para todos, suma, desapareça, morra, nasça.
Vai viver!
Finalmente: 
Ela está de pé!

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

28 de outubro de 2016

Hoje, num dos dias mais quentes do ano, eu finalmente consigo sentir as palavras voltando pra mim. Passei dias tentando escrever algo que fizesse sentido, e nada. Ontem até tentei com papel e caneta, pois costuma funcionar, mas nem mesmo isso tirou de mim algo realmente interessante. Pode ser que agora também não saia nada de incrível aqui, mas pelo menos estou conseguindo falar sobre isso, com o mínimo de sentido. Isso também me faz pensar que talvez o problema seja a importância que dou a sentido, afinal, se tem uma coisa que a vida não tem, é sentido. As coisas acontecem sem que muitas vezes tenhamos controle real sobre elas, e só temos que lidar com isso sem surtar. Pois sempre, sempre é um acontecimento para os quais estamos despreparados, ou pelo menos não preparados completamente. 
Talvez nada disso faça realmente sentido, mas o fato é que hoje, num dos dias mais quentes do ano, oito e trinta e seis da noite, estou conseguindo escrever isso tudo com Marvin Gaye tocando no Youtube aberto em outra aba do meu navegador (o que realmente comprova a falta de sentido da vida, afinal, qual coerência tem "Let's Get It On" com todo esse papo profundo que eu estou tentando colocar pra fora de mim aqui...?).  E eu estou digitando super rápido, após quase um mês sem fluir nada dessas mãos, estou escrevendo tão rápido que toda hora tenho que voltar pra concertar as palavras, pois estou comendo letras. 
Talvez minha cabeça tenha estado confusa assim porque anteontem vi "A Chegada" que é um filme que fala sobre a ideia de pensar no tempo como algo não linear, sem definir passado e futuro, tudo é parte do mesmo presente. E ontem finalizei "Gilmore Girls: A Year In The Life", que é um série onde o tempo linear é algo bastante presente, porque bem, humanos se baseiam em calendários e relógios. E são duas concepções totalmente diferentes rodando ao mesmo tempo na minha cabeça, é estranho. Como, como enxergar tudo como parte de um mesmo todo, de um mesmo agora e não viver em três tempos diferentes? Logo eu, logo eu que sou tão presa as minhas lembranças e tão cheia de esperanças pro meu futuro. Como ser menos ocidental nesse sentido? Não é fácil.
Aconteceu tanta coisa esse ano (assim como no ano passado, e no ano antes, e antes, e antes...), e ainda resta um mês para o seu fim, não dá pra acreditar que ainda não acabou. Todas as casas da minha vizinhança já estão com suas luzes de Natal a todo vapor, eu ainda estou pensando se corro o risco de montar uma árvore de Natal com um gato em casa ou não, o comercial de fim de ano da Globo já está enchendo o saco de novo. Mas só eu sei tudo o que já aconteceu nesse 2016 sem fim. 

Deixo aqui esse texto meio furreca, pra não passar esse mês sem nada, mas quero deixar claro que é só pra constar. Ultimamente tem sido bem difícil fazer fluir algo dessas mãos. Talvez porque mais uma vez, eu esteja em processo de mudança interna e ainda não tenha material suficiente pra produzir. Provavelmente é isso, afinal, quando é que eu não estou em processo de mudança interna? 

(Mas sei lá... Desse vez parece algo diferente. Ainda não sei explicar o que é, mas são sentimentos novos. Quando souber, prometo escrever algo que preste)

Minhas mais sinceras desculpas,

Carol.

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Sussurro

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Nasci no mar, onde tem sol (quase) todo dia...
A terra das montanhas tropicais, da desigualdade e da natureza urbanamente agressiva.
Cresci sob o vento abafado, ao redor de sussurros, exatamente como faço agora
Cresci ao redor de palavras ditas por olhos assustados...
Sou filha da ansiedade.

Me disseram que no dia em que nasci, tentei levantar a cabeça
que fiquei toda vermelha, parecia que ia explodir.
E agora ando de cabeça baixa, tentando evitar tropeços em calçadas irregulares
Me conectando bem as sensações que podem significar uma faca nas costas.
Já levei algumas. 
Sobrevivi, é verdade.
Porque isso é o que faço.

Vivo sozinha, tentando arrumar minha própria bagunça,
tentando tirar os pés das mãos.
E você perdeu tudo
sempre.
Não se ofenda. 
Minha vida é feita de constatações e sentimentos que mudam toda hora.

E é fato que você estava lá
Mas depois não estava mais, e nunca mais esteve de novo. 
É fato que o tempo foi roubado, mas você nunca tentou recuperar.
E você não me conhece.
Não sabe que sou solitária porque tive que me adaptar,
não sabe que penso todo dia sobre todas as coisas que você pensa que eu não penso mais.
Mas eu penso. 
Muito.
Pois o mar deveria estar de ressaca no dia em que nasci. 

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Despertar

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Que entre o sol por essas janelas,
Pois já não controlo nada.
Nunca controlei, na verdade. 
Mas houve um tempo da minha vida em que pensei 
que só não estaria mais em minhas mãos,
Quando me juntasse aos vermes.
Mas agora eu sei.
Não há nada entre o desejo e o controle
se não o acaso.
Meus efeitos já não fazem mais efeito
E eu cansei de brigar.

(Quando escrevo, escrevo meu coração do lado de fora 
E não tenho pretensão de ser arte
E se acabar sendo, bem... Acaso.
Sentimentos não foram feitos para serem analisados 
É um momento que pode não durar nada
E às vezes perdura a eternidade.)

Minhas fugas foram causadas 
Mas se cheguei em tantos lugares, é porque fui implantada 
por desejos.
Sinto todo o peso que a vida que eu tive poderia me fazer sentir.
Mas ainda entro por portas entreabertas,
subo na cama e parasito
O corpo alheio.
Ainda pulo janelas e desapareço
Eu ainda sou descontrolada 
pois preciso de mais.

Eu quero ser virada do avesso
E quero carne.
Quero entrar pela porta entreaberta
E desaparecer pela janela depois.
Mas eu não controlo quando, nem onde 
Pois sou fruto do acaso
E inevitavelmente acordo de manhã 
Na cama que parasitei quando ninguém estava olhando.
E eu sinto o sol entrando por essas janelas...




terça-feira, 18 de outubro de 2016

10° dia

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Hoje, acordei mais cedo do que meu cérebro é capaz de suportar. 
Não dormi no ônibus, pois não conseguia relaxar sem meu colar no pescoço... Após anos usando algo 24/7, isso simplesmente torna-se parte do seu corpo. Andei procurando lugares, procurando respostas. Senti minha pele exposta, queimando sob o sol... Não tenho melanina, mas tenho sardas que carregam história. 
Nesses dias tenho andado assim, automaticamente sem propósito. Parece que estou a ponto de desligar, num minuto posso nem estar mais aqui. 
Dizem que a solidão faz isso com as pessoas. 
Eu sempre respondo que estou acostumada a ser sozinha, mas em tempos como esses, começo a me perguntar se isso é realmente verdade ou se digo tentando convencer a mim mesma. 
Não que eu não goste do meu tempo, pois eu preciso desse tempo. Mas isso não quer dizer que não preciso conversar olhando nos olhos. 
E enquanto meu suor pingava, enquanto os pássaros voavam acima de mim, carros passavam, e as pessoas corriam sem olhar nos olhos, percebi que estou vazia, completamente oca.
Mas não é o vazio que me preocupa, mas sim o que irá preenchê-lo futuramente. 
Às vezes eu acho que perdi minha identidade. Escondi, ou perdi de propósito... Joguei pela janela e não olhei pra trás. Outras vezes penso que talvez essa seja a minha real identidade e não o que costumo mostrar por aí. 
Mas a verdade é que estou cansada. 
Cansada de ter que ser sempre responsável, contando as moedas, deixando de viver. 
Depois que rompi o contrato, fui até um salão fazer minhas unhas. Passei o dia todo engolindo o choro e continuo fazendo isso, pois eu sei que se começar, será muito difícil de parar. E não quero responder perguntas. Pensei que me sentiria melhor se dedicasse um tempo a mim. Mas saí do salão me sentindo da mesma forma, só que dessa vez, com unhas vermelhas bem feitas. 
E essa coisa não passa. Simplesmente voltou e não quer mais ir embora. Esses são tempos sombrios, onde me sinto uma bosta. Esses tempos acontecem de vez em quando, e não é nada bonito... Só o que me resta é tomar muitos banhos gelados, respirar fundo, chorar, dormir, e esperar passar... 
Eu sei que eventualmente não estará mais aqui. 

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Super Lua

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Hoje, eu apaguei todas as luzes da casa 
E sentei nos fundos.
Esperei que a luz da Lua penetrasse por meu óculos, e chegasse nos meus olhos míopes 
Esperei que pudesse reconhecer em minha alma, que sou grata 
Por estar viva, testemunhando seu brilho.

Posso sentir sua energia 
Influenciando as marés à minha volta,
Produzindo melancolia. 
Produzindo também, vida.
Pois estou aqui, essa noite, nos fundos da minha casa 
Sendo apenas admiradora.

Esse suor é só daqui 
Esse mormaço, esse calor exagerado 
É do Rio, sei que nunca sentirei isso em outro lugar.
É dessa Ilha em que nasci, 
É dessa Ilha... Voltei tantos anos depois.
É aqui, embaixo do mundo, que sinto o suor escorrer lentamente sob minha pele 
Bem quando acabei de sair do banho. 
É só aqui que aguento os mosquitos no escuro 
Apenas para sentir o brilho da Lua.

E estou cansada.
Me sinto sem energia para pensar no próximo passo 
Parece que já vivi mais de mil vidas nessa vida 
Parece que já vi mais de um século por esses olhos 
Parece que já senti um milhão de sensações por essa pele... 
Abraços, gritos, sorrisos, pernas entrelaçadas, tantas lágrimas, carinho, sonhos, êxtase, chão, palavras.
Saudade.

Tanta saudade que nem cabe em mim.
E essa mesma Lua, testemunhou isso tudo.
Posso sentir, sentada aqui, nos fundos da minha casa, com as luzes apagadas. 
Posso sentir pelo suor que escorre por minha pele. 
Posso sentir tudo.  

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Ruminante

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É aquela época do ano de novo, onde os dias são insuportavelmente quentes, e as noites me lembram minha infância. 
É aquela época do ano, onde lavo meu cabelo num banho gelado, e nem chego perto do secador depois.
Aquela época do ano, onde eu me pergunto "Qual o próximo passo?", enquanto observo a lâmpada da minha cozinha, cheia de insetos de Verão.
Aquela época da minha vida onde me sinto levemente perdida, onde me sinto levemente desesperada, e levemente empolgada pela adrenalina. 
É essa época, de novo.
É nessa época que sinto uma necessidade ainda maior de estar sozinha, de ruminar as coisas, de planejar planos que deixarei de lado depois. 
Mas é nessa época também que nascem os planos que dão certo.
No meu mapa astral, já é outro ano.
Pra mim, cada mês é como se fosse um ano inteiro.
É nessa época que me concentro mais na minha caneca de café, no meu copo de açaí, no teto do meu quarto, nos meus cadernos rabiscados. 
E essa época acontece na minha vida, ocasionalmente, toda vez que eu penso que tenho o controle da situação. 
É nessa época em que me lembro que sou apenas humana. 
E é nessa época em que me lembro de fechar os olhos, só um pouco mais. 
E deixar a cortina aberta, pro vento entrar.