segunda-feira, 15 de junho de 2015

À flor de todas as flores



O mar ficou preto 
O tempo mudou
E eu me sinto estranha
Arrepiada
À flor de todas as flores da minha pele 
Armada e desconfiada
Não me sinto eu.

Me sinto distante de tudo aquilo que já fui um dia 
Me sinto estranhamente invadida 
E não numa boa maneira. 
Transformada, mas não menos perturbada 
Me sinto atormentada por coisas que ainda nem aconteceram 
Fantasmas que eu não conheço, ainda não vi essas mortes 
Mas me sinto assim, como uma tempestade forte 
Sem direção, colocando na vitrine minha própria sorte.

Gostaria de ser plena
Gostaria que essas coisas amargas do mundo não me fizessem sentir tão pequena 
Se eu sou mesmo grande como alguns dizem, 
Tenho usado por tempo demais essa fantasia do 1,57. 
Não tenho me sentido eu...
Só consigo desejar que essa tempestade passe logo
E eu consiga acalmar todas as flores da minha pele.

terça-feira, 9 de junho de 2015

Buraco na garrafa

A madrugada rola... E estamos aqui:
Eu e o vinho, jogando conversa fora.
Alguma coisa está vindo e eu não sei o que é,
Alguma coisa vem vindo pra me arrastar pra mais louca mudança
Vai me fazer chegar até o final da garrafa de vinho
Vai me fazer ter um treco e causar em mim aquela velha ânsia
De fugir, como se eu pudesse me abrigar em algum ninho
Como se eu tivesse para onde ir
Como se eu pudesse me dar ao luxo de fugir...

O está vindo agora?
Já não aguento mais me balançar nessa árvore
E não ter um lugar seguro pra cair
O que está vindo agora?
Outro vento tentando me fazer cair
No mais profundo dos abismos?
Mais um salto no escuro, mais uma crise, mais um absurdo?
Só quero minha garrafa de vinho
Se isso é um crime, desista de mim
Eu simplesmente não aguento mais viver assim...

A madrugada vai...
Nem o vinho eu tenho mais
Nem a sanidade, nem força, nem vontade
Todos eles caíram no abismo logo abaixo de mim
Todos eles soltaram-se do galho
Todos eles largaram a ilusão
E agora me chamam pro chão
Minhas mãos estão falhando
Eu não tenho outra opção...

sábado, 6 de junho de 2015

Anger



I have this anger inside me 
It's a living hell 
My soul whispers a song 
That wakes this anger 
And without telling me why, burns me to go out 
And when it does 
It's a hell. 

Why the gods made me like this?
Why Am I so destructive?
I don't know
I just know that I have this anger inside me
And it burns to go out.

I'm a hurricane
Born to be left to die
I can not change this crazy nature
It's this what makes me strong
And that's why I'm not dead yet
Because I have this anger inside me
And when it burns me to go out, I burn everything around
I will not die while this anger is part of me
I'm still here.

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Morte e vida, sina

 

Já amei a morte antes, por jamais ter estado com ela
Aquele tipo de amor platônico que desenvolve-se pelo desconhecido
Justamente por não saber de nada, apenas por amar a ideia de algo
Amava o fato de nunca tê-la comigo.
Ela sempre me disse que eu viveria muito tempo ao lado da vida
Antes de entregar-me à ela, pela eternidade...

Quis morrer apenas para entendê-la
Quis morrer, por fatos da minha história
Quis morrer por pessoas e por mim
Quis morrer
Já achei que seria mais fácil assim.
Hoje  não tenho o medo que tinha antes da vida
Tampouco passei a ter medo da morte
Para mim, uma é casamento arranjado
Outra é amor inevitável
Convivo entre as duas, bem
Convivo porque sei que não pertenço a ninguém

 
Quero desfrutar da vida seu melhor lado, as melhores companhias
Quero viver tudo o que puder viver.
E quando chegar a hora de me juntar à morte, abrirei meus braços sinceramente
Pra largar da vida, que chorará por mim
Abraçarei a morte que me dará existência sem fim.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Canção da jornada


O que eu faço, meu amor 
É por você.
Às vezes você não consegue ver 
Pois o que eu faço é como um botão de rosa branca no meio da neve:
Impossível de enxergar
Mas ainda assim
Está lá.

O que eu faço, meu amor 
É por você
E mesmo assim, a distância que sentimos um do outro 
É como a melancolia de um navegador perdido no meio do oceano 
Tanto tempo navegando, mas não faz ideia da parte do caminho em que está 
Sente saudade do tempo em que as coisas faziam-se claras 
Pois é difícil, meu amor 
Encontrar uma poeira num enorme oceano.

O que eu faço, meu amor 
É por você.
Todas as madrugadas que passei acordada tentando desvendar o mistério dos seus olhos, 
Tentando descobrir a parte do oceano em que estou... 
E por não saber onde você está
Passo tento tempo a procurar...

Deixe-me, amor 
Deixe-me ir com o vento 
Quem sabe assim ele não diminui o tempo 
Que levarei até encontrar você.
Quando eu chegar, querido,
Dê-me abrigo 
Dê-me o prazer de finalmente te ter comigo 
Dê-me amor, dê-me coração aquecido.

Depois de todas as rosas brancas que deixei no meio da neve 
Depois do vasto oceano que naveguei em busca de uma minúscula poeira 
Em busca de uma pista 
Do seu perdido amor 
E do mistério revelado no fundo dos seus olhos... 
Destrua todos os relógios 
O tempo que levei para te encontrar, relógio nenhum pode expressar 
Pois tudo o que faço, meu amor 
É por você.


segunda-feira, 20 de abril de 2015

Meteoro



Em dois meses eu poderia me apaixonar 
Me perder
Me achar 
E no fim desses meses, poderíamos nos casar.

Em dois meses eu poderia terminar 
Cada livro que já comecei 
Poderia viajar para metade dos países que já anotei 
Poderia ir e não voltar 
E no fim desses meses, seria feliz sem notar.

Em dois meses construiria muros absurdos 
E antes que acabassem esses meses, colocaria todos abaixo 
Andaria com pés descalços em meio às vigas e pedregulhos. 
Criar e destruir... 
E no fim desses meses, todos veriam minha capacidade para absurdos.

Mas por que dois meses?
O encontro que ocasionou no meu caos levou dois meses para ser oficializado 
E quase 21 anos depois, aqui estou eu 
Tentando fugir do meu próprio caos.

Se afeta?
Afeta. Afetou, sempre afetará. 
E eu tenho a impressão de que essa batalha interna dificilmente cessará um dia. 
São dois mundos completamente diferentes convivendo aqui dentro 
Que não se suportam e não podem separar-se ao mesmo tempo 
Apenas dois meses pra criar todo esse caos.
Se fossem meses falsos... 
No fim desses meses, todas essas histórias não passariam de estrofes mal contadas. 

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Teto

Eu não tenho dinheiro 
Tenho apenas sonhos que quero esconder 
E histórias que não me importo de deixar todo mundo saber.
Tenho um coque 
(porque tenho calor) 
E um andar acelerado nas ruas 
(pois vivo no atraso). 
Vejo o Sol nascer e se pôr 
Sinto a vida e suas reviravoltas 
(às vezes me causam mais dúvidas, às vezes me trazem respostas) 
Vivo nesse ritmo 
Tentando ter dinheiro, tentando ter calma 
(mas como é possível ter calma enquanto se tenta ganhar algum dinheiro?) 

Do meu telhado vejo todas as estrelas que preciso 
(cada constelação me dizendo exatamente o que tenho que saber) 
Meu ventilador soprando pro lado certo 
Tenho todos os sonhos do mundo no meu pequeno teto.
Tenho o som do mar 
(tenho pressa pra navegar) 
Uma brisa que vem pra me tranquilizar 
(o universo tenta me aquietar, ele faz esse favor) 
No meu pequeno teto tenho todos os sonhos do mundo 
E os ideais de um ser humano pecador. 
Tenho todos os sonhos do mundo, tenho tudo
(tentando ganhar algum dinheiro, tentando ter calma) 
Tentando ter tudo, construindo minha história
Se ansiedade vendesse eu teria uma loja.


sexta-feira, 3 de abril de 2015

Eu terei 21 a qualquer momento


Eu terei 21 a qualquer momento. 
Minha mãe estará adotando outro cachorro 
Meu pai estará voando o mais alto que puder 
Meus irmãos, indo... Pra algum lugar 
Daqui a pouco batendo na minha porta. 
Eu não tenho nem 21 
E já consigo enxergar minha vida como ela é.

Sentir o tempo é algo relativo... 
Tudo o que sei é que vou gritar enquanto tiver pulmões 
Vou sorrir e chorar enquanto aprender lições. 
Eu sinto o tempo da mesma maneira que sinto o vento: 
Está passando rápido, e já quase sinto falta dos sopros iniciais 
Mas que bom que está passando.

Não nasci pra inércia 
Gosto do movimento, pois é isso o que define a vida 
Parado é peso morto 
Parado é inútil 
Parado é sem propósito
Parado é desperdiçar esse privilégio chamado vida. 
Não posso deixar de celebrar por ter quase 21 e saber que ainda tenho muito pela frente 
Tantas coisas ainda vão acontecer 
Logo eu terei 31 desejando ter mais uma vez 21 
(mas não acho que isso pareça muito comigo).
Provavelmente terei 51 agradecendo pelo vento.

segunda-feira, 9 de março de 2015

Hoje é dia

Dia de chuva, dia de preguiça 
De falar e rir de bobagens, de agarrar e dormir até tarde
Dia de café, dia de livro 
Dia de silêncio 
Dia de você rindo comigo. 

Estamos em lua de mel?
Se estivermos, quero viajar 
Quero sair, quero aproveitar 
Quero passar o dia com você num quarto de hotel 
Quero andar a noite toda por uma cidade iluminada 
Quero mãos dadas sendo sua namorada.

E eu estou escrevendo clichê só pra você ver 
Que eu estou feliz só por estar com você
Amor, isso pode ser temporário 
Mas eu me sinto como um peixe nadando livremente no oceano 
Sinto como se estivesse livre de um limitado aquário.

Isso é bom, é real e é imaginário 
Dia perfeito é estar aqui com você
Compartilhando a preguiça, compartilhando os planos 
Nem precisamos sair pra viajar 
Hoje é dia de chuva
Dia de ficarmos agarrados no seu quarto.

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Reunião

Há apenas sal na mesa 
Sal e decisões que eu não estou apta
A tomar.
Então queime as folhas 
E vamos começar como se nunca tivéssemos começado.

Não olhe pra trás 
Olhe pra mim 
Nós seguiremos em frente 
Nenhum dia antes daquele importa
Nada nunca existiu 
A vida começou no momento em que eu te vi 
 E você me despiu.

Você me despiu de todos os meus escudos 
Dos meus medos e dos meus absurdos 
E todos aqueles anos de abuso desapareceram 
No momento em que você me viu 
Nada antes disso jamais existiu.

Eu não tenho que tomar decisões 
A discórdia já aconteceu 
Não é necessário ter medo do que acontecerá 
Se o sal cair no chão. 
E entre nós há esse vão 
Que eu não quero 
Então queime as folhas 
E vamos começar como se nunca tivéssemos começado.